Regina Maria - mãe do Gabriel Pedro

Gabriel Pedro foi um filho muito, muito desejado. Os meus dois filhos foram. Para mim Gabriel teve um desenvolvimento normal. Apesar de eu começar a trabalhar dia sim, dia não quando ele completou sei meses. Aceitava carinho, quando mamava olhava nos meus olhos, quando eu cantava "atirei o pau no gato" ele dizia miau. Gostava de ouvir músicas infantis, pagode, funk. Quando acordava assustado chorando eu não podia falar nada, só pegá-lo no colo e acariciá-lo. Se falhasse, ele ficava mais irritado. Quando ele tinha 1 ano e pouco, algumas pessoas percebiam algo diferente. Eu e o pai respondíamos que o pediatra ao qual eu levava o Gabriel todos os meses dizia que ele não tinha nada. Acho que era isso que eu queria ouvir. Algum tempo depois a Dra. Lúcia e outra pediatra me encaminharam ao neurologista. Aos três anos o diagnóstico no Instituto Fernandes Figueira: AUTISMO. Fiquei perdida, revoltada, desorientada, com raiva, com medo do futuro e a pergunto "porque comigo?" etc. Confesso que alguns sentimentos desse conjunto ainda não passaram. Procuro educá-lo na medida do possível. As vezes perco a paciência e o controle, ele faz muita arte, às vezes dá dois passos para a frente e três para trás e vice-versa. Mas o meu amor por ele é maior que tudo. Tudo o que eu puder fazer farei. Logo após receber o diagnóstico ele passou por avaliações feitas pela fonoaudióloga Mônica Acioly. Eu comecei ao participar de reuniões mensais com as mães sendo orientadas pela Mônica. Às vezes eu não podia participar devido ao trabalho. Mas ela ligava sempre marcando a reunião seguinte. Agora percebo que desde aquela época já existia em nosso meio uma mão amiga sempre pronta para acolher, ouvir, ajudar, orientar e fazer tudo pelos pais e nossas crianças.

Regina Maria Pereira Martins
mãe do Gabriel Pedro Pereira Perdigão

FAMÍLIA DO PAULO IGOR

"Quando descobrimos que o Paulo Igor era autista, não demos muita atenção
ao diagnóstico porque não conhecíamos a palavra "autismo". Tanto que nem
fiquei transtornada ou mesmo preocupada. Achei que ia passar, que era
apenas uma fase. Pensei que aquele jeito dele nos olhar, não prestar
atenção, não querer receber carinho, era o jeito dele e que um dia tudo ia
passar. Mas não passou e nós tivemos que encarar o problema de frente.
Então começou a correria por todos os lados e de novo a palavra "autista". E
essa "coisa" não era tão sem importância como pensávamos. Finalmente
descobrimos que o autismo é um distúrbio de comportamento, mas ainda não
sabíamos como tratá-lo. Passamos por vários momentos difíceis com Paulo
Igor, mas aos poucos fomos aprendendo a lidar com ele e a entendê-lo melhor.
E o mais importante: descobrimos que o amor, o carinho e a paciência são
fundamentais para a criança autista. Não é fácil, mas a gente aprende.
Hoje, eu, o pai e nossa filha cuidamos dele com muito carinho. Tentamos dar
a ele toda a atenção e apoio que ele precisa. Não vou dizer que foi fácil
chegarmos até aqui. Não foi. Tive muito medo, muitas coisas ruins
aconteceram na minha vida. Não sabia como lidar com ele. Mas depois que
aprendemos, coisas boas começaram a acontecer. Minha família ficou mais
unida e eu dei uma virada na minha vida quando resolvemos fundar a
Associação Mão Amiga..
Depois que aprendi que o autismo não é uma doença e sim um jeito de ser, e
que o autista precisa é de muito amor, carinho e muita, muita atenção, fico
muito feliz em poder ajudar outras famílias na Mão Amiga.
Hoje o Paulinho está com 10 anos e a situação dele é igual a de muitas
outras crianças autistas: falta escola, falta tratamento multidisciplinar.
Principalmente para as crianças de famílias de baixa renda a situação é
muito difícil. Nós, mães, ficamos perdidas, sem saber o que fazer. As
escolas municipais, que têm a chamada "inclusão" não funcionam, pois as
crianças ficam na escola 40 minutos e não recebem o que precisam. Não têm
estímulo nenhum para ir ao colégio, entram e saem da escola e parece que
ninguém os vê.
Por isso a Associação Mão Amiga precisa de todos nós que queremos realmente
mudar esta situação. Estamos caminhando com dificuldade, mas com Fé. E com a ajuda de vocês, vamos chegar lá!"

Iranice Nascimento Pinto, mãe do Paulo Igor (autista e hiperléxico), atual
presidente da Associação Mão Amiga


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